Oct 24

Esporte e produção de energia

 

A partir do consumo de nutrientes, os mecanismos de transferência de energia (ATP), tem início e estes auxiliam os processos celulares.

A energia que precisamos para realização de processos celulares, provém de nutrientes que estão em nossa alimentação, porém, esta energia não é diretamente repassada dos nutrientes para as células.

Em primeiro lugar, esta energia é utilizada para a síntese de um composto chamado ATP, daí, esta energia será utilizada pelas diversas células em nosso organismo.

Para haver ATP é necessário uma ressíntese constante das moléculas já utilizadas. Isto acontece porque a quantidade de ATP nas células é muito pequena. O ATP é ressintetizado a partir dos produtos finais de sua quebra, o ADP e o fosfato.

 

O ATP é ressintetizado por 3 vias, que são 3 mecanismos energéticos, são eles:

1. ATP-CP (Fosfagênico);

2. Glicolítico ou Láctico;

3. Oxidação.

Cada mecanismo tem o objetivo de liberar energia dos nutrientes e transformá-la em ATP, podendo, desta forma, ser utilizadas em nossas atividades físicas.

 

ATP-CP

Este mecanismo é uma fonte imediata de energia para o músculo ativo. Algumas atividades requerem esforço breve e máximo, estas, se encaixam neste mecanismo gerador de energia.

O ATP-CP fornece energia para os primeiros segundos de exercício, ou seja, de 5 à 10 segundos. Como exemplo de atividade física, temos o voleibol e o levantamento de peso.

Este processo necessita de poucas reações químicas e não requer oxigênio.

É o processo mais simples para gerar ATP.

 

Glicolítico

A principal fonte de energia deste mecanismo é o carboidrato.

Este mecanismo gera ATP para necessidades energéticas intermediárias.

Este processo fornece energia para atividades que duram cerca de 50 à 90 segundos, como provas de natação de 200m; piques de corrida e alta intensidade do futebol; basquete, tênis e outros.

Este mecanismo, como o ATP-CP, não requer oxigênio e ocorre pela quebra incompleta do carboidrato em ácido láctico, porém, mais reações químicas são envolvidas. O principal fator que pode prejudicar a capacidade positiva do processo glicolítico, é o acúmulo de lactato no sangue e chegando ao músculo, pode provocar fadiga muscular. E a maior capacidade de resistência de uma pessoa ao ácido láctico, é determinado pela habilidade de tolerar esse ácido.

 

Aeróbio

As principais fontes de energia deste mecanismo, são : o glicogênio e os ácidos graxos. Este mecanismo gera ATP para períodos mais longos de exercício. Energia para atividades de baixa intensidade, como sentar, dormir e outros. Quando a atividade física fica mais intensa, a produção de ATP fica por conta dos mecanismos ATP-CP e Glicolítico. Atividades mais intensas, como correr, ciclismo, entre outros, são supridas em parte pelo mecanismo aeróbio, até a intensidade atingir o nível alto (85% da freqüência cardíaca).

Qualquer atividade com mínimo de 5 min, pode ser considerada aeróbia, como exemplo: hidroginástica, natação, triathlon.

Este mecanismo requer oxigênio e envolve algumas reações químicas.

 

Tipos de exercício e utilização de nutrientes

Em situação de repouso ou de exercício, a ressíntese de ATP acontece através da produção de energia, a partir de diferentes substratos energéticos.

A ressíntese de ATP precisa ser feita logo que iniciamos algum exercício físico. O aumento no consumo de energia produz aumento do consumo de oxigênio, portanto, sempre que o organismo tem um consumo maior de ATP, precisamos de um tempo para organizar a disponibilidade de oxigênio, porque se faz necessário a queima de substratos energéticos. Porém, somos capazes de ressintetizar o ATP, sem a presença de oxigênio, em condições que o organismo não pode esperar pela disponibilidade de oxigênio (é uma adaptação por processo oxidativo aeróbio). A capacidade do nosso organismo ressintetizar ATP, pode ser em condições aeróbias e anaeróbias (presença ou não de oxigênio) e isto por causa de nossos músculos. Temos diferentes fibras musculares capacitadas à gerar energia em cada condição.

Fibras do tipo I (Contração lenta - oxidativa) - São também chamadas de vermelhas, fazem a ressíntese oxidativa de ATP e são recrutadas para esforços prolongados e de intensidade leve à moderada.

Fibras do tipo II a - Ressíntese oxidativa. São relacionadas à esforços de alta intensidade.

Fibras do tipo II b - São também chamadas brancas. Tem baixa capacidade de ressíntese oxidativa e alta capacidade de ressíntese glicolítica (capacidade de extrair energia da glicose). Esforços de alta intensidade e curta duração.

Na maioria dos tipos de atividade desenvolvida por nossos músculos, as fibras do tipo I (lentas) são solicitadas antes das fibras rápidas. A exceção são os movimentos de força máxima. Alguns fatores podem interferir na ressíntese de ATP, são eles o treinamento e a dieta.

 

Liberação de energia pelo alimento

Carboidrato: Fornece energia p/ o trabalho celular. É recrutado para liberação de energia rápida (anaeróbios). Em caso de liberação de energia rápida, a glicose sangüínea e o glicogênio (acumulado), irão fornecer a maior parte de energia para a ressíntese de ATP. Gordura: A gordura é transformada em energia quando são removidas do tecido adiposo e são transferidas para o músculo (fibras de contração lenta).

 

O que é utilizado primeiro? A gordura ou o carboidrato?

Em estado de repouso, os ácidos graxos estão disponíveis e são a primeira fonte utilizada, o metabolismo da gordura acelera, quando o do carboidrato é inibido.

Já, em exercícios de atividade moderada, alguns hormônios são solicitados, modificando a fonte utilizada para gerar energia.

A excreção de adrenalina se eleva, o que reduz a excreção de insulina. Estes hormônios influenciam diretamente a utilização de gordura e carboidrato, pelo músculo. Se elevarmos a intensidade do exercício, haverá uma liberação maior de ácido láctico, o qual inibirá a gordura. O resultado é o seguinte: o metabolismo da gordura é reduzido e o carboidrato passa a ser a fonte de energia mais solicitada.

A proteína não é capaz de fornecer mais do que 15% da energia solicitada pelo exercício.

Consumo de energia durante repouso e atividade (gasto clórico em repouso) A taxa metabólica basal (TMB) é a energia necessária para manter as funções vitais do organismo em repouso.

A TMB reflete bases energéticas para construção de um programa de controle de peso, através da dieta, atividade física ou uma combinação de ambos, Calculando necessidades diárias de energia. De acordo com a TMB saberemos o consumo de calorias diárias que o indivíduo deverá consumir.

Algumas pesquisas mostraram que o metabolismo das mulheres é mais baixo que o dos homens, em 10%. Uma explicação pode ser que as mulheres apresentam (de uma maneira geral) um percentual de gordura maior que o dos homens e a gordura é menos ativa que o músculo.

 

Fatores que interferem o gasto calórico

Atividades realizadas continuamente e utilizando grandes grupos musculares, vão, é claro, consumir mais calorias. A intensidade e a duração do exercício são determinantes para o gasto calórico total.

Os fatores são:

Termogênese de indução dietética - é a energia extra que o organismo precisa para assimilar e sintetizar os nutrientes, porém, o efeito da termogênese de indução dietética pode ser menor em indivíduos treinados, comparando com os destreinados.

Clima - os fatores ambientais influenciam a TMB de repouso. A TMB de indivíduos que vivem em climas quentes é até 20% mais alto do que aqueles indivíduos que vivem em clima mais frio.

Gestação - Pesquisas mostram que a gestação não impõem estresse fisiológico à mãe, além do aumento de peso e sobrecarga dos tecidos fetais.

 

Conclusão:

Os nutrientes armazenados em nosso organismo promovem a ressíntese de ATP, e assim obtemos energia continuamente.

Os substratos energéticos serão degradados de acordo com a reposição de ATP que o organismo precisa, o que poderá ser pela via metabolismo aeróbio ou anaeróbio.

 

Tatiana Carvalho
Nutrição Esportiva / Personal Diet
CRN 2000 1000 22
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