Oct 23

Fisiologia do mergulho

Quando seres humanos mergulham, são submetidos à condição denominada Hiperbarismo, onde, para não colabarem, os pulmões são enchidos em pressões elevadas, expondo o sangue nos alvéolos também à mesma condição.

Segundo a Lei de Boyle,a profundidade da agua causa redução do volume dos gases nos pulmões. Exemplo : Ao nivel do mar (1 atm), um pulmão contendo 1L de ar terá seu volume reduzido confme o mergulhador desce em profundidade. Após 10m ( 2 atm ) o volume de ar cairá para 1/2 L. A 70m (8 atm) o volume será de 1/8 L e assim sucessivamente.

O Hiperbarismo,por sua vez, leva a alterações na absorção e transporte de gases no organismo. O ar que respiramos é composto basicamente por oxigenio, nitrogênio e gás carbonico. Havendo pressão gasosa alveolar aumentada, haverá hiperabsorção destes gases e isso poderá levar a efeitos deletérios, desde que não sejam seguidas as regras básicas do mergulho.

 

Scuba

Até os anos 40, quase todos os mergulhos eram feitos empregando um capacete ligado a um tubo de borracha,por onde era bombeado o ar, da superficie para o mergulhador. Em 1943 Jacques Cousteau desenvolveu o aparelho autocontido para respiração em baixo d`agua, ou SCUBA, abreviação do inglês Self Conteined underwater breathing apparatus.
Apesar as das evoluções sofridas pelo aparelho e de sua diversidade de formas comerciais, o tipo usado desde sua criação é Sistema de demanda de circuito aberto, contendo ar comprimido em cilindro, válvula redutora de primeiro estágio, uma válvula de de inalação de demanda e válvula de exalação, que possibilita que o ar seja puxado aos pulmões com pressão respiratória ligeiramente negativa e, depois ser exalado no mar sob pressão pequena.

Descompressão

Segundo a lei de Henry, "a solubilidade de um gas no meio líquido é diretamente proporcional a pressão parcial". Quando respiramos sob pressão elevada por longo período, a quantidade de NITROGENIO dissolvida nos líquidos corporais aumenta e , como o gás não é metabolizado no organismo, só será eliminado quando sua pressão seja reduzida nos pulmões.
Para que isso ocorra de maneira fisiológica,evitando a doença descompressiva o mergulho realiado em profundidades e tempo FORA da faixa azul da tabela 1 deve passar por processo de descompressão.
Quando o mergulhador sobe de maneira lenta e segura, tem 90 % do nitrogenio eliminado na primeira hora e o restante nas outras 6h.
No mergulho descompressivo, o mergulhador permanece determinado tempo em profundidades progressivamente menores até chegar à superficie, seguindo tabelas ja previamente elaboradas.

Lesões do mergulho


Mal descompressivo

Engloba duas lesões distintas : a embolia gasosa e a doença descompressiva.]

Ambas ocorrem quando o Nitrogênio, gas inerte presente no sangue torna-se gasoso de uma maneira súbita,devido à rapida mudança de pressão nos tecidos de um ambiente hiperbárico para um hipobárico.Isto pode acontecer, por exemplo, quando um mergulhador que permaneceu um determinado período a uma determinada profundidade, atingindo um perfil descompressivo , sobe de maneira súbita.Por não haver tempo dos pulmões eliminarem o excesso de nitrogenio sanguineo,pode haver a formação de bolhas nos tecidos (Micronuclei).

Estas podem cair na corrente sanguinea, ocasionando o Mal descompressivo, caracterizado por embolia gasosa e lesão de orgãos-alvo, como o coração e sistema nervoso central (2% dos casos)
Em sua forma tecidual,a doença descompressiva pode ocasionar dores articulares,sendo o ombro mais acometido, dores musculares,paralisias,formigamento de extremidades e fadiga intensa.A pele pode apresentar coceiras e vermelhidão. Nos casos mais graves pode desencadear Incontinencia urinária, paralisias, vertigens e perda de consciencia.

Seu tempo de desenvolvimento ocorre :
A) 50 % dos casos nos primeiros 30 minutos
B) 85 % dos casos, em 1 h
C)95 % dos casos , nas primeiras 3h.

Fatores de risco :

- idade
- desidratação
- Exercicio excessivo antes do mergulho
- tabagismo
- Hiportermia
- Alimentação gordurosa antes do mergulho
- Tabagismo
- Sedentarismo e obesidade

Mesmo que os sintomas sejam discretos, a doença descompressiva é uma emergencia médica e deve ser conduzida com seriedade. O mergulhador deve repousar em posição confortavel, receber oxigenio e ser conduzido o mais rapido possivel a um serviço onde haja câmara hiperbárica.

Narcose pelo Nitrogenio

De maneira semalhante à doença descompressiva, a hiperabsorção do gás em baixas profundidades ( em geral abaixo de 30m )leva a efeitos de embriagues semelhantes aos do alcool. O tratamento baseia-se na subida a profundidades menores e aguardar a dissipação de sintomas.

Fatores que podem desencadear ou agravar a narcose :

- Ingestão de bebidas alcoolicas, anti-histamínicos e calmantes
- Mau condicionamneto físico
- Exercícios extenuantes antes do mergulho
- Hipotermia
- Pneumotórax Hipertensivo, também conhecido como Sindrome da Hiperinsuflação pulmonar, ou Barotrauma pulmonar.

Embora raro, pode ocorrer no mergulhador desavisado, ou em pânico que enche o pulmão de ar e sobe repentinamente,retendo-o. Lá embaixo, o volume de ar nos pulmões é pequeno e , ao subir o mesmo aumenta gradativamente.A ruptura alveolar pode levar ar ao espaço pleural, comprimindo o pulmão, impedidindo seu funcionamento normal.

Os sinais incluem :
- Falta de ar intensa
- Dor toracica
- Veias do pescoço saltadas
- Abaulamento do hemitorax afetado
- Alterações no timbre da voz
- Creptação na pele (enfisema subcutâneo)

Um mergulhador que apresente estes sinais está em RISCO DE VIDA COM PERIGO DE MORTE EMINENTE. O socorro não deve demorar e o mesmo deve ser transportado em oxigênio a 100%.

Barotrauma

Pode ocorrer em qualquer cavidade aérea do organismo.
Comumente afeta a orelha, os seios da face e os dentes. Ocorre pela equalização de pressão mal sucedida durante um mergulho. Os sintomas incluem dor, sangramento e perda da audição.
Pode ser ocasionado por disfunção das tubas condutoras de ar.Pessoas propensas a desenvolver a doença incluem os portadores de Rinite alérgica, infecções de vias aereas, fumantes.
O melhor remédio para isso é a prevenção. Nunca mergulhar havendo doenças das vias aéras, como rinites, sinusites, resfriados ou fazer uso de descongestionantes antes do mergulho, para alivio de sintomas.
Após um mergulho sucedido de barotrauma, o mergulhador deve permenecer na superfície e consultar-se com um Otorrinolaringologista assim que possível.

Acidentes com animais marinhos


Embora "raspões" em corais, cracas e ouriços possam parecer inofensivos, podem também infectar-se.Por isso, devem ser avaliados por médicos.
Mordidas de moreias, cações e tubarões podem causar sangramento excessivo e devem ser tratados imediatamente por lavagem exaustiva da ferida enfaixamento compressivo. Animais como o "peixe de pedra" e cobras dágua podem envenenar a vítima. Netas situações, a rapidez do socorro da vitima é fundamental.
A prevenção é também o melhor remédio. Animais marinhos dificilmente atacam mergulhadores a não ser que se sintam ameaçados. Tentar tocar e acuar animais pode levar a situações desastrosas.Evite-as.

Contra indicações absolutas ao mergulho

A) CARDÍACAS
Historia prévia de Infarto agudo do miocardio ou revascularização miocárdica.
Hipertensão
Arritmia
Prolapso da válvula mitral

B) PULMONARES
Lesão pulmonar sólida História prévia de pneumotorax Asma em atividade.

C) NEUROLÓGICAS
Crises convulsivas
Tumor intracraniano
História prévia de AVC (derrame)
Lesão medular com sequela

D) OTORRINOLARINGOLÓGICAS
História prévia de perfuração de tímpano
Cirurgia da cadeia ossicular
Paralisia facial secundária ao barotrauma
Laringectomia previa
Historia previa de fratura dos ossos da face

E) GASTROINTESTINAIS

Obstrução gástrica
Diverticulo Esofágico Refluxo gstroesofagico grave
Hernias abdominais não corrigidas.

F) GRAVIDEZ

G) HEMATOLÓGICOS
Anemia falciforme Policitemia Leucemia

H) MUSCULOESQUELÉTICOS
Lombalgia cronica
Amputação
Escoliose com comprometimento pulmonar
História prévia de Necrose ossea asséptica

I) PSICOLOGICAS/ COMPORTAMENTAIS

Claustrofobia
Psicose ativa
Sd Panico
Abuso de alcool ou drogas


Dr. Adriano Leonardi

CRM/SP 99660
Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Santa Casa de São Paulo.
Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, traumatologia do esporte e wilderness medicine.



Para saber mais : Divers Alert Network
www.dan.org


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