Oct 24

A segurança das provas de aventura no Brasil e no mundo

Os esportes realizados na natureza selvagem tem ganho cada vez mais adeptos no mundo todo. Tanto por simples curiosidade, quanto pelo alívio do estresse do dia-a-dia, homens e mulheres têm investido seu tempo em treinamento e equipamentos e caído na água, trilhas, durante o dia e à noite, com privação de alimentos e sono e, muitas vezes, enfrentando condições extremas de frio e calor.

Assim como em qualquer esporte, uma maior exposição leva também a um maior risco de lesões e desenvolvimentos de doenças típicas do meio selvagem.

O estudo destas enfermidades, encabeçada desde 1982 pela Wilderness Medical Society (WMS), com sede em Salt Lake City, Utah, fez com que Estados Unidos da America levantassem a mais completa casuística e, obviamente, dados suficientes para a prevenção de sua ocorrência.

Segundo a associação, anualmente ocorrem:

- 22,4 acidentes por 1 milhão de praticantes de atividades outdoor.

- Idade média das vítimas de 34 anos.

- 59%  homens x 41% mulheres.

- A maioria, no verão entre meio-dia e 18:00h.

- As lesões traumáticas têm taxa de 1,18 / 1000 dias, sendo as mais comuns:

- Entorses, distensões e lesões dos tecidos moles (28%)

- Fraturas ou luxações ( 26%)

- Lacerações (15%).

- Ocorrências  clínicas: 1,08 / 1000 dias.

 

Os dados apontam que as atividades maior risco são:

- Caminhada (55%)

- Esportes de inverno (15%)

- Montanhismo (12%)

 

E, a ocorrência dos óbitos em:

- Caminhadas (58%)

- Montanhismo (26%).

 

E o Brasil?

Considerado ma das maiores biodiversidades do planeta, com território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados em região tropical, nosso país foi eleito em 2008 como o melhor destino para aventureiros ,segundo a revista National Geographic Adventure, porém necessitando consistentes melhoras na infra-estrutura.

Por aqui, os esportes de aventura crescem. O faturamento médio anual da indústria de Turismo de Aventura deve superou R$ 490 milhões em 2009 e existe previsão de aumento para 2010. Com mais pessoas entretidas nesta pratica, espera-se que, obviamente também ocorram lesões e desenvolvimento de doenças ligadas ao nosso clima.

Ao se pensar na ação de um profissional da saúde especializado em medicina do meio selvagem (wilderness medicine), tanto para realizar estudos, quanto para aumentar a segurança de provas,esbarra-se em alguns empecilhos inexistentes em outros países:

1. Ausência do reconhecimento da importância de um profissional da saúde treinado em provas de aventura.

2. Baixa valorização por parte da equipe organizadora que, muitas vezes, ou não contrata, ou despreza contratos de prestação de serviços, mantendo, por muitas vezes,profissionais despreparados, desprovidos de logística e que não têm a mínima noção de suas responsabilidades.

3. Péssimas condições de atendimento em grande parte dos hospitais e postos de saúde brasileiros,onde, além da falta de insumos, há carência de profissionais bem qualificados.

Em Agosto de 2009. o grupo Medicina da Aventura, em parceria com a Associação Paulista de Corrida de aventura (APCA) realizou uma pesquisa com seus membros para que avaliássemos as experiências pessoais e opiniões sobre a atuação médica nas provas. Os resultados que seguem abaixo reforçam nossas idéias.

 

1) Quantidade de provas disputadas ao ano:

 

2. Acidentes sofridos:
3. Necessidade de tratamento:
4. Você confia nas provas?
5. Você confia no sistema de saúde local onde são realizadas as provas?
6. Você valoriza a atuação médica em provas?
Desta forma, nossa equipe tem como importantes missões, realizar estudos médicos dos esportes de aventura no Brasil, aumentar a segurança de provas, instruir voluntários e conscientizar cada vez mais a população geral sobre a necessidade da atuação de um profissional da saúde treinado em um ambiente selvagem.

Dr. Adriano Leonardi
CRM/SP 99660
Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Santa Casa de São Paulo.
Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, traumatologia do esporte e wilderness medicine.