Oct 21

Sobre a Espeleologia

A espeleologia é uma atividade complexa que alia técnica; ciência; experiência; atividade física; preparação psicológica; planejamento; atuação em grupo e uma pitada de espírito desbravador.

Várias são suas vertentes, podendo servir de base ou auxílio para profissionais nas áreas de geologia. biologia, arqueologia, paleontologia, geofísica entre outros.

No Brasil existem cavernas formadas nas mais diversas litologias como arenito, granito, quartzito, mármore e principalmente em rocha calcárea; estas cavidades estão distribuídas por todo território nacional, cada local possui características únicas, forçando os exploradores e topógrafos a diferentes graus de esforço físico, técnico e psicológico.

 

Introdução

Espeleólogo ou Turista

Mais que outras atividades ao ar livre, a espeleologia "sofre" com a falta de diferenciação entre quem efetivamente produz dados e informações sobre nossas cavernas e aqueles que apenas encaram a atividade como um esporte ou simples diversão de final de semana. Importante, pois turistas são submetidos a um grau bem mais ameno de exigência em todos os sentidos e na sua maioria possuem pouca ou nenhuma preparação para a atividade que estão exercendo naquele momento.Normalmente, o espeleólogo se prepara para atuar em determinada área, estuda a trilha a ser percorrida, toma precauções quanto a alimentação, roupas, logística, preparação física e psicológica, isso porque muitas vezes as atividades podem ultrapassar 12 horas ininterruptas em um ambiente totalmente hostil a presença humana. A maioria dos acidentes ou incidentes dentro de cavernas são causados por falha humana.

Acesso

Como foi dito acima, existem diferentes regiões no Brasil com incidência de cavernas, cada uma com características únicas tanto na formação e morfologia, quanto no acesso. Existem locais onde o carro é deixado a poucos metros de seu pórtico, e em outros se faz necessária uma longa caminhada, podendo até inviabilizar um "ataque" (situação em que o espeleólogo vai e volta no mesmo dia de determinada caverna), forçando-o a pernoitar no entorno ou, quando é possível e permitido, dentro da cavidade.

Trilhas de acesso também podem diferir quanto ao grau de exigência física, porém sempre necessitam de grande atenção, uma caminhada no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) pode fazer com que o praticante fique extenuado e perca grande quantidade de líquidos, além de estar exposto a caminhos com grande aclives e declives totalmente irregulares e com pedras soltas. Locais de difícil acesso também exigem uma grande preparação logística, forçando o espeleólogo a carregar mais de 30 kg em equipamentos.

Por outro lado, em um local como o norte de Goiás, certas cavernas estão a poucos metros de estradas, ou em trilhas planas e fáceis, porém o calor, as abelhas, vespas, plantas com grandes espinhos e animais peçonhentos maltratam qualquer um que se embrenhe por aquelas bandas. Ataque de abelhas e vespas são muito comuns em regiões carsticas, existindo vários relatos de acidentes entre os praticantes de espeleologia.

Morfologia

No Brasil, as cavernas são predominantemente horizontais, exigindo pouco deslocamento em cordas, aparentemente isso torna a atividade um pouco mais segura para aquelas pessoas que são somente "visitantes", porém esta característica faz com que um número muito grande de pessoas despreparadas se aventurem, pois este tipo de formação geológica sempre despertou curiosidade e mistério na população em geral, aflorando os mais diferentes sentimentos como coragem, superação, medo, desbravamento, descoberta, entre outros, levando muitas vezes o leigo se acidentar. Em cavernas horizontais podemos nos deparar com inúmeras situações de risco como trechos de pequenas escaladas que normalmente são feitas livre de proteção de cordas, travessias de rios, trechos de natação, trechos apertados que exigem rastejamento e contorcionismos, etc....

Muito comum também é o espeleólogo se deparar com locais de extrema instabilidade, sendo que alguns acidentes já ocorreram por desabamentos e deslocamentos de rocha. Cavernas verticais possuem tudo o que foi dito nas horizontais, com o agravante de se estar suspenso em uma corda. A única via de entrada e saída é a corda, portanto isso obriga a toda equipe aguardar um a um transpor os lances de vertical, em cavernas muito frias, característica das ocorrências no sul do estado de São Paulo e serras mineiras, isso pode levar um explorador a um estado de hipotermia rapidamente.

Transitar em uma corda também exige técnica e preparo físico, pois faz com que se repita um movimento de "encolhimento" e "distensão" repetidas vezes, o que leva a grande fadiga muscular. Outro fato grave é a compressão da artéria Femoral pela cadeirinha de segurança que pode levar o praticante a uma "sincope".

Ocorrências comuns: Escoriações; bolhas; picadas de insetos; batidas; hematomas; espinhos; escorregões; sono; cansaço; estafa; stress.

Situações de risco: Frio ou calor extremo; desabamentos; falta ou excesso água; picada de animais peçonhentos; grandes quedas; queimaduras; afogamentos; stress psicológico; surtos; armadilhas de caçadores; trombas d'água.

Doenças possíveis: Malária; histoplasmose; raiva; leptospirose.

Onde praticar

União Paulista de Espeleologia - http://www.upecave.com.br
Sociedade Brasileira de Espeleologia - http://www.sbe.com.br
Redespeleo Brasil - http://www.redespeleo.org


por Ricardo Martinelli
15 anos de Espeleologia
Presidente da União Paulista de Espeleologia
Coordenador do Cadastro Nacional de Cavidades (SBE)
Conselheiro da Redespeleo Brasil
Especialista em fotografia e mapeamento subterrâneo
Cirurgião Dentista
Mestre pela FOUSP em Endodontia
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