Oct 20

A historia das corridas de Aventura

Corridas de Aventura são provas multidisciplinares de longa duração (variam de 1 a 10 dias, podem ter de 45km á 1.100km) . São disputadas em equipes ( em geral mistas, com quatro integrantes).

O universo de modalidades é extenso, as mais presentes são:

canoagem; trekking; mountain bike; técnicas verticais e orientação cartográfica. No entanto, a principal modalidade é a orientação cartográfica, que consiste na escolha e acompanhamento de rotas com a utilização de cartas topográficas e bússolas.

 

Os percursos de competição são estabelecidos por PC's (Postos de Controle), que são pontos obrigatórios de passagem, e são mantidos em sigilo até o início da competição. Apesar da grande exigência física, o esporte privilegia a estratégia, a experiência e o trabalho em equipe, e os principais atletas do planeta estão acima dos 40 anos.

Durante o percurso, as equipes têm que administrar muitas variáveis, como hora e local para dormir, quantidade de comida e equipamentos na mochila.

As distâncias, seqüências e características de cada etapa da prova são definidas pelos organizadores. Não existe uma ordem básica, nem quantidade de etapas de cada modalidade. Tudo vai depender das possibilidades e dos desafios estratégicos criados para testar os atletas. Os atletas podem ou não ser assistidos por equipes de apoio -- membros da equipe que dão suporte nas áreas de transição (locais onde se troca de modalidade) --, mas isso também fica a critério dos organizadores.

ORIGEM DAS CORRIDAS DE AVENTURA

A teoria mais aceita é a de que as corridas de aventura tiveram sua origem na Nova Zelândia, em 1983, com a criação da Coast to Coast, prova de ciclismo, corrida e canoagem, em terrenos off road. Porém, o formato que temos hoje nas corridas, com equipes mistas, e predominância de orientação por mapa e bússola, foi criado apenas 8 anos depois, em 1989, pelo jornalista francês Gerard Fusil, o chamado Raid Gauloises. Hoje conhecido como Raid World Championships. E o primeiro deles foi realizado na Nova Zelândia, com percurso de 500 quilômetros. Em 1992, Mark Brunnet liderou a primeira equipe americana a participar do Raid Gauloises. Três anos após, em 1995, Brunnet criava a maior referência do esporte, o Eco-Challenge, disseminado para mais de 60 milhões de telespectadores da Discovery Channel. No primeiro ano, o evento foi realizado nos EUA (Utah), e rodou o mundo até a edição final das Ilhas Fiji, em 2002. A Atualmente as Corridas estão espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Existem dois circuitos mundiais de renome, Raid World Cup e Adventure World Series. A força do esporte pode ser sentida em eventos com premiações milionárias, como o Primal Quest (US$ 250mil).

CORRIDAS DE AVENTURA - BRASIL

Em 1997, o empresário paulista Alexandre Freitas foi seduzido pelas corridas de aventura ao participar do Southern Traverse, uma das principais e mais tradicionais Corridas do mundo, realizada na Nova Zelândia. Freitas criava, então, em 1998, a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura, e a EMA -- Expedição Mata Atlântica (200 quilômetros entre a Serra do Mar e a Ilhabela), e lançava o Brasil no esporte. Neste ano, surgiram provas mais curtas, organizadas pelo já falecido Mário Lopes. O EMA continuou sua saga em 1999, 2000 e 2001, esta última realizada na Amazônia. Muitos adeptos iniciaram-se no esporte nesta fase, e houve espaço para novas organizações de provas em São Paulo e pelo Brasil afora.

Em 2001, Said Aiach, empresário e atleta de aventura, criou o Ecomotion. Inicialmente foram organizadas provas de 24 horas , mas o trabalho estendeu-se para as Short Adventure's (provas de 6 horas ), e principalmente para o Ecomotion Pró, prova de 500 quilômetros, realizada a partir de 2003. Hoje, é a principal prova da América Latina, distribui US$ 60 mil em prêmios, e é afiliado do ARWorldSeries. Said foi o principal responsável em mostrar a visibilidade do esporte para empresas investidoras em patrocínio.

Ainda em 2001, Sérgio Zolino inaugurava o Adventure Camp, aliando clínicas de treinamento e corridas. Hoje, o atual Caloi Adventure Camp é o principal circuito de provas curtas do país, e cada prova tem duração média de 5 horas.

Fora da região de São Paulo, o esporte cresceu no no Rio de Janeiro, no Nordeste, no Sul, em especial no Paraná. Nos demais estados, o número de adeptos vem crescendo consideravelmente , Hoje, estima-se mais de 10 mil .

No final de 2002, durante a última edição do Eco-Challenge, defendendo a equipe EMA Brasil, Alexandre Freitas foi contaminado por um raro protozoário, e desde então se recupera de sequelas que o impediram de continuar o trabalho da EMA. Lucas Jerônimo, que fazia trabalhos de campo e levantamentos de percursos para Freitas, criava então o Chauás, circuito que até hoje mantém características das provas da Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura. Em 2004, surgiu o principal circuito do Brasil dos dias atuais , o Brasil Wild, idealizado e dirigido por Julio Pieroni, empresário da região do Petar e atleta de aventura. Hoje, o BW é freqüentado pelas melhores equipes do país, suas provas tem duração média de 24 horas. Atualmente, a maior referência de desempenho das equipes no Brasil é o RBCA -- Ranking Brasileiro de Corridas de Aventura, que engloba as principais provas do calendário nacional. O esporte está se desenvolvendo a passos largos, fato comprovado pelo surgimento de associações que visam regulamentar o esporte, como a APCA - Associação Paulista de Corridas de Aventura.

 

Márcio Franco
Educador Físico, Especialista em Treino desportivo e de Aventura
Personal Trainer
Guia de Rafting e Canoagem.
Prof. Canoagem em Corredeiras.
Canoísta há 17 anos.
Atleta de Corridas de Aventura
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