Oct 20

Lesões na corrida de aventura

 

Assim como em qualquer modalidade de esportes de aventura, a corrida de aventura tem seu leque de possíveis lesões que, nada mais são que uma somatória das lesões descritas nas outras modalidades. A grande diferença aqui é que o período de exposição do corpo humano aos fatores ambientais, somado aos fatores pre-dispositivos pessoais crescem de maneira exponencial. Por exemplo: um desarranjo femoropatelar manifestado por dor ou estalido no joelho, que começou no trekking pode se agravar na bike, na canoagem e, novamente na escalada.

Embora a literatura seja extremamente escassa em publicações sobre esta novíssima modalidade esportiva, a impressão que se tem no dia a dia é que o atleta deve ter seus índices antropométricos perfeitamente ajustados para o esporte. Ao contrario de outras modalidades, uma articulação com pouca flexibilidade ou uma dor crônica recidivante pode tornar a corrida de aventura, um suplício.

LESÕES ORTOPÉDICAS

 

Tornozelos

Comum entorses seguidos de lesões ligamentares ou fraturas. O uso contínuo da articulação pode, ainda, desencadear quadro de tendinite, principalmente do Tibial Posterior e dos Fibulares. Pessoas portadoras de uma anomalia conhecida como "Barra óssea", uma espécie de fusão anormal entre os ossos do pé, possuem mobilidade do mesmo anormal e, consequentemente, maior predisposição ao desenvolvimento da doença.

 

Pés

Assim como no trekking, as lesões ocorrem por periodos prolongados de caminhada, incluindoFrostbite nos dedos do pé quando expostos à agua fria por períodos prolongados ; escoriações e bolhas por caminhada de longa distancia ou tênis inadequado e lesões às unhas. Uma estrutura de especial atenção é a Fáscia plantar. Uma espécie de "mola" responsável por manter o arco de sustentação do pé sem contato com o solo. Quando há pouca flexibilidade, ou excesso de micro-trauma por repetição, pode ocorrer uma condição denominada Fasceíte plantar, uma reação inflamatória degenerativa que cursa com dores nos calcanhares, comumente pior ao se levantar, semelhante a um "espinho espetando" e que pode se agravar se não devidamente cuidada.

 

Joelhos

É uma articulação que "sofre" muito nesta modalidade. O período de exposição, associado à total irregularidade do terreno predispõe, sem dúvida à sobrecarga femoropatelar. Como descrito em outras modalidades, a articulações entre o Fêmur e a Patela é de biomecânica complexa e comumente lesa-se quando submetida à desaceleração constante, como, por exemplo, numa descida íngreme. Esta articulação, na corrida de aventura, após submetida ao micro trauma de um trekking ou de uma escalada é, então subemtida ao estresse cíclico da pedalada. Certamente, se não houver um adequado ajuste de altura de banco, quadro e falta de técnica na pedalada, a lesão seguida de dor será inevitável.

A adrenalina de correr pode, muitas vezes ocasionar os entorses de joelho que, por sua vez trazem consigo uma enorme gama de possíveis lesões, incluindo lesão do ligamento cruzado anterior (estatisticamente o mais lesado) e colateral medial, lesão meniscal e lesões à cartilagem articular. Saiba mais aqui sobre o manejo apropriado.

 

Coluna vertebral

Esta, sem dúvida, é outra fonte inesgotável de lesões e pode limitar muito o praticante da corrida de aventura. A coluna, quando submetida ao esforço físico repetitivo de flexo-extensão numa escalada, ou ao tempo prolongado em flexão mantida numa mountain bike ou por movimento torcional carregando mochila pesada nas costas pode desenvolver as síndromes dolorosas, ou lombalgias. Felizmente, a maioria delas enquadra-se nas chamadas "mecano-posturais", ou seja, dores seguidas de contraturas musculares, que nada mais são, que um processo inflamatório localizado e auto-resolutivo. Estão, geralmente associadas à pouca força e flexibilidade da musculatura lombar, ou até mesmo por um desequilíbrio entre a musculatura flexora do tronco abdominal e a extensora lombar. Por isso, a correção destes fatores através da melhoria do condicionamento físico e o seguimento com um instrutor da modalidade são imprescindíveis para que a lesão não ocorra.

Em casos de traumas torcionais, ou em quedas acidentais, nos quais os discos intervertebrais foram submetidos a grande estresse, poderão ocorrer as lesões estruturais, com fissuras de discos ou hérnias, com seus respectivos tratamentos e limitações.

 

Períneo

Na modalidade MTB, o fato de permanecer sentado no selim por períodos prolongados pode levar a lesões neurológicas do nervo pudendo,podendo acarretar desde perda de sensibilidade na área perineal a impotência sexual. Isso, é claro, relacionado ao tempo de exposição, tipo de banco, postura ao pedalar e predisposição própria do atleta.

 

Ombro

Estatisticamente, a articulação mais afetada nas técnicas que envolvam ramadas. Serve como fulcro de movimento, suportando torque rotacional da cabeça umeral contra a glenóide, exigindo integridade e harmonia da musculatura da chamada cintura escapular .

O conjunto músculo-tendíneo conhecido como manguito rotador "abraça" a cabeça do Úmero como uma mão agarrando uma bola de tennis. Tem a função de estabilizar o Úmero em seu íntimo contato com a glenóide e promover rotacionais. Durante seu funcionamento, em indivíduos com predisposição, pode haver o choque, ou "impacto" desta estrutura contra o prolongamento mais lateral da Escápula (Omoplata),o Acrômio, levando à Síndrome do Impacto . Esta doença, popularmente conhecida como "Bursite", nada mais é que a tradução de uma tendinopatia degenerativa que, em estágios mais avançados, pode levar à ruptura dos tendões componentes do manguito rotador e, conseqüente perda de função.

Na ramada da corrida de aventura , assim como em outros esportes que exigem movimento contínuo e cíclico das mãos atuando acima do nível dos ombros, o manguito rotador é "jogado" contra o Acrômio durante a remada e, de uma maneira aguda ou crônica, a lesão se desenvolve. A dor pode se iniciar de maneira súbita ou lentamente, transformando o prazer do esporte em uma tortura. Caracteristicamente, a dor melhora um pouco no inicio da remada e piora a noite. Na sua forma crônica, uma remada reversa, por exemplo, pode desencadear dor severa, fazendo com que o praticante perca o controle do remo.

O tratamento conservador através da fisioterapia e correção de fatores predisponentes, como encurtamento muscular e prevalência de rotadores internos sobre externos tem ótimos resultados. Casos refratários e de dor podem se beneficiar pelo tratamento cirúrgico, principalmente realizado por via artroscópica.

Outro conjunto de lesões recentemente investigadas são as chamadas micro-traumaticas, ou seja, aquelas causadas pelo esforço repetitivo e de evolução silenciosa. Sua manifestação clássica é a chamada "Síndrome do braço morto" (Dead arm syndrom) , na qual, o afrouxamento contínuo da cápsula da articulação do ombro causa instabilidade, ou seja, ocorrem movimentos "anormais" do úmero contra a glenóide, com dor súbita e descrita como lascinante, fazendo com que o braço do atleta caia, perdendo temporariamente sua função. Isto, sem dúvida é extremamente desapontador para o praticante de esportes a remo.

A prevenção é o melhor remédio para as lesões do ombro. A correção de vícios de postura, fortalecimento muscular prévio e o acompanhamento de um instrutor da modalidade são imprecindíveis para um bom desempenho, livre de lesões.

 

Mãos

Existe sempre a posibilidade de agressões às mãos, principalmente quando se usa técnicas de escalada, podendo haver arrancamento de unhas, fraturas de falanges e lesões tendineas. Por isso, o preparo adequado das mãos e o treinamento prévio para tecnicas verticais são muito importantes. Ao pedalar, devido ao tempo excessivo do firme contato das mãos ao guidão da bike, poderão ser desencadeadas as Sd Tunel Carpal e Sd do Canal de Guyon, desencadeando o "formigamento" clássico dos de acordo com o nervo acometido

 

Músculos

Correr em ambiente acidentado envolve o recrutamento de diversos grupos musculares com propriedades biomecânicas complexas, com tipos de contrações diferentes. A falta de flexibilidade aliada ao movimentos acima do limite suportado por um determinado grupo muscular levará à distenção em seus mais diversos graus, desde micro-estrutural, com pequeno sangramento local à ruptura total do ventre muscular. Tipicamente, o local mais afetado é a musculatura da pantourrilha. Esportistas e atletas descrevem a lesão como uma sensação de uma "pedrada" com dor e incapacidade imediatas.

Outras possíveis lesões musculares incluem a acidose lática e o dolorimento muscular tardio.A primeira está relacionada ao acúmulo de ácido lático bem localizado, gerando dor logo após o esporte.Isso se deve ao "despreparo" de determinado grupo muscular que, ao sofrer fadiga, deixa de converter a glicose em energia (via aeróbica) e a converte em ácido lático ( via anaeróbia). Sem dúvida, uma espécie de proteção local contra lesões. O segundo grupo é aquele tipo de dor desencadeado alguns dias após o esporte. Especula-se que há relação direta com reação inflamatória da placa neural, ou seja, uma estrutura de ligação entre os neurônios motores e as fibras musculares estriadas.

 

Lesões por "over use" extremo

Aqui entram um rol de lesões que podem se desenvolver especialmente em atletas de elite com muita garra e determinação competitivas que podem acabar indo muito além dos seus limites fisiológicos. Raramente poderão acontecer com aqueles que eventualmente praticam o esporte. A fratura por estresse ocorre tipicamente quando o atleta aumentou subitamente o seu treino. Em geral, manisfesta-se por dor bem localizada que piora na corrida e melhora no repouso. Como o próprio nome diz, existe fratura na porção mais externa do osso, na junção deste com sua membrana, o periósteo. 2.o metatarso, tíbia e fíbula são os locais mais afatedos, mas podem também ocorrer no colo do fêmur, púbis e outros ossos do pé. O tratamento inclui repouso, fisioterapia e exercícios na água a fim de se evitar perda de performance cardio-vascular. A síndrome compartimental crônica é uma entidade que se desenvolve em um determinado grupo muscular submetido a estresse freqüente e está realacionada à elevação da pressão local, com perda da micro-circulação e defcit neurológicos dos nervos incluídos no mesmo espaço. Em geral, há dor que se desenvolve no início da corrida, melhora algumas horas após repouso e pode estar associada a anestesias. O tratamento também inclui medidas fisioterápicas e melhorias nas técnicas de treino. Em casos extremos de elevação aguda da pressão de espaços fasciais, uma descompressão aguda por cirurgia poderá ser necessária.

 

Politraumatismo

Por lidar com técnicas verticais e travessias de rios, a corrida de aventura é vista pela medicina selvagem como uma modalidade de potencial lesão e risco de vida, incluindo afogamentos, traumatismo crânio-encefálicos, fraturas, etc. Saiba aqui o manuseio em primeiro-socorros.

 

 

OUTRAS LESÕES

 

Queimadura solar

O primeiro formigamento ou rubor é um sinal para abandonar rapidamente a exposição ao sol. As compressas de água corrente gelada podem aliviar as áreas avermelhadas, assim como as loções ou pomadas sem anestésicos ou perfumes que possam irritar ou sensibilizar a pele.

Os comprimidos de corticosteróides podem ajudar a aliviar a inflamação e a dor em poucas horas. A pele queimada pelo sol começa a curar espontaneamente em poucos dias, mas a cura completa pode levar semanas. As queimaduras solares nas pernas, sobretudo das canelas, tendem a ser particularmente desconfortáveis e a sua cura é lenta. As áreas da pele raramente expostas à luz solar podem sofrer queimaduras graves por possuírem pouco pigmento. Essas áreas incluem aquelas normalmente cobertas pelas roupas de banho, o dorso do pé e o pulso, o qual é normalmente protegido por um relógio.

A pele lesada pelo sol torna-se uma barreira deficiente contra a infecção e, quando esta ocorre, pode retardar a cura. O médico pode determinar a gravidade da infecção e, quando necessário, prescrever antibióticos. Após a pele queimada descascar, as novas camadas expostas ao sol são finas e muito sensíveis à sua radiação. Essas áreas podem permanecer extremamente sensíveis durante várias semanas.

 

Picada por insetos

Apesar da picada de alguns insetos e aranhas ser muito doloroso e deixar o local da picada com inchaço, sangramento e dor, a maioria delas são auto-resolutivas e não deixam seqüelas. O grande problema está nas pessoas alérgicas ao veneno. O resultado disso é a chamada reação anafilática, que pode levar ao choque, com falência múltipla dos órgãos, se não tratada a tempo. Os sinais de alerta são :

- Inchaço severo de todo o corpo e/ou da face, língua e lábios

- Fraqueza, tontura

- Dificuldade para respirar ou engolir

- Obstrução das vias aéreas ou choque com queda de pressão

Antes de iniciar o o montanhismo ou o trekking, verifique se a equipe possui o kit de emergência que contenha: Adrenalina (medicamento conhecido por epinefrina e que tem a capacidade de abortar as reações corporais desencadeadas por uma picada), além de seringa e agulha para aplicação Um anti-histamínico Um inalador que contenha adrenalina Uma folha de instruções orientando a forma correta de utilização do kit Esse kit deve ser recomendado pelo seu médico. Você deve também portar uma tarjeta de identificação - ALERTA MÉDICO - que informe rapidamente as outras pessoas sobre sua alergia por picada de insetos. Pessoas com antecedente de reações alérgicas a picada de abelhas ou vespas devem pedir orientação médica sobre a necessidade de vacinas antiarlégicas .

Pergunte à equipe sobre os hospitais da região. Se há equipe médica preparada e orientada sobre estas possíveis emergências.

 

Doença da Altitude Elevada(Mal da montanha)

A doença da altitude elevada (mal da montanha) é um distúrbio causado pela falta de oxigênio em altitudes elevadas. O distúrbio pode ter várias formas, primeiro uma forma dominante e, em seguida, uma outra forma.

À medida que a altitude aumenta, a pressão atmosférica diminui e menos moléculas de oxigênio estão disponíveis no ar mais rarefeito. Esta diminuição do oxigênio disponível afeta o corpo de muitas maneiras: a freqüência e a profundidade da respiração aumentam, alterando o equilíbrio entre gases nos pulmões e no sangue, aumentando a alcalinidade do sangue e alterando a distribuição de sais (p.ex., potássio e sódio) nas células. Como conseqüência, a água é distribuída de modo diferente entre o sangue e os tecidos. Essas alterações são a principal causa da doença da altitude elevada. Nas altitudes elevadas, o sangue contém menos oxigênio, produzindo uma coloração azulada da pele, lábios e unhas (cianose). Ao longo de algumas poucas semanas, o organismo responde produzindo mais eritrócitos (hemácias, glóbulos vermelhos) para transportar mais oxigênio até os tecidos.

Os efeitos da altitude elevada dependem de quão alto e de quão rápido a pessoa sobe. São poucos os efeitos perceptíveis abaixo de 2.200 metros , mas eles são comuns acima de 2.800 metros após uma ascenção rápida. A maioria das pessoas ajusta-se (aclimatação) a altitudes de até 3.000 metros em poucos dias, mas a aclimatação a altitudes mais elevadas pode levar muitos dias ou semanas.

 

Sintomas:

A doença da altitude elevada aguda manifesta-se em muitas pessoas que vivem ao nível do mar quando elas ascendem a uma altitude moderada ( 2.400 metros ) em 1 ou 2 dias. Elas apresentam falta de ar, aumento da freqüência cardíaca e cansaço fácil. Aproximadamente 20% delas também apresentam cefaléia (dor de cabeça), náusea ou vômito e distúrbios do sono. A maioria melhora em poucos dias. Este distúrbio benigno, que raramente não passa de uma sensação desagradável, é mais comum em pessoas jovens que entre as mais velhas.

O edema pulmonar da altitude elevada, um distúrbio mais grave em que ocorre um acúmulo de líquido nos pulmões, pode ocorrer posteriormente à doença da altitude elevada aguda. O risco de edema pulmonar da altitude elevada é um pouco maior nas pessoas que vivem em altitudes elevadas, sobretudo crianças, quando elas retornam à altitude elevada após passarem de 7 a 10 dias ao nível do mar. As pessoas que já apresentaram um episódio prévio apresentam uma maior probabilidade de apresentar um outro, e mesmo uma infecção respiratória leve (p.ex., resfriado comum) parece aumentar o risco. O edema pulmonar da altitude elevada é muito mais comum em homens que em mulheres. Habitualmente , ele ocorre de 24 a 96 horas após a ascenção até a subida e é incomum abaixo dos 2.700 metros .

A dificuldade respiratória é mais grave no edema pulmonar das altitudes elevadas do que na doença da altitude elevada aguda. Mesmo um esforço discreto causa falta de ar. A tosse é comum, sendo seca e irritativa no início e, posteriormente, produtiva. Uma grande quantidade de escarro, freqüentemente róseo ou inclusive sanguinolento, pode ser expectorado. O edema pulmonar da altitude elevada pode piorar rapidamente e em poucas horas evoluir de uma doença moderada para uma potencialmente letal.

O edema cerebral da altitude elevada, a forma mais grave da doença da altitude elevada, pode ocorrer espontaneamente nas 24 a 96 horas que sucedem a chegada a uma grande altitude, ou pode ser precedido pela doença da altitude elevada aguda ou pelo edema pulmonar da altitude elevada. No edema cerebral da altitude elevada, ocorre um acúmulo de líquido no interior do cérebro. Um sinal de alarme precoce é a ataxia (dificuldade de andar), que pode ser acompanhada por movimentos desajeitados dos dedos ou das mãos. A cefaléia é mais intensa que a da doença da altitude elevada aguda. Um pouco mais tarde, a pessoa pode ter alucinações, mas, freqüentemente, elas não são reconhecidas como tais. Quanto maior a altitude, maior o comprometimento da capacidade de julgamento e da percepção. Os sintomas podem ser semelhantes aos produzidos pelo consumo de álcool. O edema cerebral da altitude elevada pode evoluir em poucas horas de um distúrbio leve para um potencialmente letal. Uma pessoa com suspeita de apresentar edema cerebral da altitude elevada deve ser transferida imediatamente para um local mais baixo.

O edema da altitude (inchaço das mãos e pés e, ao despertar, da face) freqüentemente ocorre em excursionistas, alpinistas e esquiadores. Em parte, o edema da altitude é causado pela alteração da distribuição dos sais que ocorre no organismo em altitudes elevadas, mas o esforço extenuante produz alterações na distribuição dos sais e água mesmo ao nível do mar.

A hemorragia retineana da altitude elevada (pequenos focos de sangramento da retina na parte posterior do olho) pode ocorrer após a ascenção, inclusive até uma altitude moderada. Esta condição raramente produz sintomas e desaparece espontaneamente, exceto nos raros casos em que a hemorragia ocorre na parte do olho responsável pela visão central (a mácula). Neste caso, um pequeno ponto cego é perceptível. Raramente, ocorre borramento da visão ou inclusive cegueira em um ou em ambos os olhos. Aparentemente, esses episódios são uma forma de enxaqueca e desaparecem imediatamente após a descida.

A doença da altitude elevada subaguda é um distúrbio incomum que foi descrito em crianças chinesas nascidas ou levadas para locais de altitude moderada e em soldados acantonados em altitudes superiores a 6.000 metros durante muitas semanas ou meses. Este distúrbio é causado pela insuficiência cardíaca, resultando em um grande acúmulo de líquido nos pulmões, no abdômen e nos membros inferiores. A descida para uma altitude mais baixa cura a condição e é necessária para salvar a vida da vítima.

A doença crônica da montanha (doença de Monge) desenvolve-se gradualmente em alguns habitantes de locais de altitude elevada após muitos meses ou anos. Os sintomas incluem a falta de ar, a letargia e muitas dores e desconfortos. Pode ocorrer a formação de coágulos sangüíneos nos membros inferiores e nos pulmões e insuficiência cardíaca. A doença da altitude elevada crônica se desenvolve quando o organismo supercompensa a falta de oxigênio através da produção excessiva de eritrócitos. A pessoa torna- se incapacitada e pode morrer se não for levada a uma altitude mais baixa.

 

Prevenção:

O melhor modo de se prevenir a doença da altitude elevada consiste em realizar a ascensão lentamente, levando 2 dias para atingir a altitude de 2.400 metros e um dia a mais para cada 300 a 600 metros adicionais. A ascenção em um ritmo em que a pessoa sente-se confortável é melhor que seguir um programa pré-estabelecido rígido. Pernoitar no meio do caminho também contribui para diminuir os riscos. O condicionamento físico pode ajudar, mas não garante que uma pessoa irá sentir- se bem em altitudes elevadas. É aconselhável que sejam evitados esforços vigorosos durante 1 ou 2 dias após a chegada ao local de destino. Ingerir líquidos adicionais e evitar o sal ou alimentos salgados também pode ser útil, embora essas medidas não tenham sido comprovadas. O consumo de álcool em altitudes elevadas deve ser feito com cautela. Uma bebida alcóolica consumida em um local muito elevado parece ter o dobro do efeito que ao nível do mar e os efeitos do uso abusivo de álcool são semelhantes a algumas formas da doença da altitude elevada.

A doença da altitude elevada aguda é minimizada pelo uso de doses baixas de acetazolamida ou de dexametasona no início da ascensão e por alguns poucos dias. O médico pode prescrever a nifedipina para as pessoas que apresentarem vários episódios de edema pulmonar da altitude elevadas. O ibuprofeno é mais eficaz que outras drogas no alívio da cefaléia causada pela altitude elevada. O consumo freqüente de pequenas refeições ao invés de refeições volumosas também é benéfico.

 

Tratamento:

Geralmente, os casos leves da doença da altitude elevada aguda desaparecem em 1 a 2 dias sem outro tratamento que a ingestão de uma maior quantidade de líquido para repor a perda líquida por meio da sudorese e da respiração rápida de ar seco. O uso de ibuprofeno e a ingestão de líquidos adicionais ajudam a aliviar a cefaléia. Quando o problema é mais grave, a acetazolamida e/ou a dexametasona geralmente são úteis.

Como em alguns casos o edema pulmonar da altitude elevada pode ser fatal, a pessoa afetada deve ser observada rigorosamente. Freqüentemente, o repouso ao leito e a administração de oxigênio são eficazes. Contudo, quando essas medidas não surtem efeito, a pessoa deve ser transportada para uma altitude mais baixa imediatamente. A nifedipina tem ação imediata, mas seus efeitos duram apenas algumas horas e ela não substitui o transporte da pessoa gravemente afetada para uma altitude mais baixa.

O edema cerebral da altitude elevada, que também pode ser fatal, é tratado com um corticosteróide (p.ex., dexametasona). No entanto, em casos graves, esta medicação somente é administrada enquanto são realizados os preparativos para transportar a pessoa para uma altitude mais baixa. Quando o edema pulmonar ou cerebral da altitude elevada piora, qualquer retardo da descida pode ser fatal.

Após a descida, as pessoas que apresentarem qualquer forma da doença da altitude elevada melhoram rapidamente. Quando isto não ocorre, uma outra causa do distúrbio deve ser investigada. Quando a descida imediata não é possível, um dispositivo que aumenta a pressão, simulando uma descida de várias centenas de metros, pode ser utilizado para tratar uma pessoa gravemente doente. Este dispositivo (saco hiperbárico) consiste em uma tenda ou em um saco de tecido leve e uma bomba manual. A pessoa é colocada no saco. Após este ser hermeticamente fechado, a pressão em seu interior é aumentada com a bomba. A pessoa permanece no saco de 2 a 3 horas. Este procedimento é uma medida temporária valiosa, sendo tão benéfica quanto a administração de oxigênio suplementar, que freqüentemente não está disponível durante uma escalada de montanha.

 

 

Dr. Adriano Leonardi

CRM/SP 99660

Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Santa Casa de São Paulo.

Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, traumatologia do esporte e wilderness medicine.

 

 

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